terça-feira, 25 de março de 2008

Quais são os seus novos negócios para 2º semestre de 2008?

O administrador hospitalar é ciente dos principais índices gerais do seu segmento, mas o meu interesse aqui é comentar apenas dois deles do Grupo III Índices Econômicos Financeiros publicado pela ANAHP www.anahp.com.br :

1. Margem líquida de 5 - 8 %
2. Prazo Médio de Recebimento 63 dias

As margens líquidas dos maiores hospitais privados brasileiros , no geral ,são tímidas e há mais de 15 anos , desde que foi extinto o ganho com a ciranda financeira da economia brasileira , a alta lucratividade na comercialização de materiais e medicamentos alcança patamares vertiginosamente decrescentes de rentabilidade , com quebra de patentes ,unilateralidade de ações dos contratantes ferindo a teoria geral de do direito cível , em suma, a gestão não se profissionalizou minimamente a contento . Abro um parênteses, para falar do início da minha carreira , em 1991, quando houve a paridade cambial em nossa economia. Eu me lembro que gerenciava ainda em Salvador - Bahia, contas bancárias em aplicações diárias com diversos bancos . Ora, de negócios em saúde ,os administradores de empresa em hospitais , que não podiam ser ditos especializados , pouco dominavam o segmento. Àquela época tive a grata oportunidade de deter o know-how de gestão da Teoria Empresarial Odebrescht - TEO , com a introdução de fluxo de caixa por centro de resultado , só com o previsto, porque tinha o imprevisto de sua aplicabilidade, dado aos entraves tecnológicos na integração de sistemas gerenciais de saúde com a complexidade de informações. Em outras palavras, uma coisa era o que se produzia, a outra o que se faturava e finalmente , o que entrava no caixa e tinha uma tarja transparente de identificação just- in- time, de-para, ou qualquer terminologia cibernética da modernidade, para termos o direito de recebermos integralmente pela prestação de serviços previamente pactuados se claro, corretamente cobrados. Fui "forçada" a entender de custos do setor terciário antes que perdesse mercado de trabalho porque nem alto executivo de RH salvava patrimônio e empregabilidade ! As glosas eram lineares, os custos fixos altíssimos, os demonstrativos de pagamentos de convênios ( quando existiam ) eram hieróglifos, tardios , repasses feitos à mão, notas fiscais emitidas sobre valor bruto impostos recolhidos antecipadamente, e a contabilidade aguardava "com fé" a reconciliação da nota com seus variados e consistentes extratos de pagamento, auditorias de convênios escritas à lápis nas contas e um staff de faturamento, contas à receber de fazer inveja ( no quantitativo ), a equipe interna e "concorrente" de planejamento e resultados , hoje dita contabilidade de custos , que por sua vez , demorava em média , 3 meses , para que os resultados de cada unidade de negócio fossem consolidados ( já tendo sido repassados os resultados financeiros aos médicos "parceiros" através de demonstrativos de planos de ação anuais na forma de adiantamentos ).
Tornamo-nos instituições financeiras ! E ainda, sem background de banqueiros na cobrança de taxas , juros e boletos bancários, fomos devorados pela conjuntura do sistema econômico-financeiro , atolando-nos em dívidas de todas as esferas cíveis e governamentais. Ficamos sem CND's,ou com elas negativas mas de efeito positivo ; alterações no código civil e fomos chamados de solidários! O "gap" do ciclo financeiro x operacional só não evoluiu mais por conta da retração da Selic , infelizmente, desde apenas,os últimos 3 anos. Tivemos que buscar outras alternativas de negócios dentro do negócio. Aí foi que a estória do segmento de saúde começou a ficar interessante e disso eu discorrerei ao longo de cada unidade apresentando para os leitores blogueiros, sugestões de gestão, entrevistas com os líderes empresariais e stakeholders . Abraços Lorena